A importância do catador na reciclagem

Conheça as cooperativas participantes

Segundo estimativa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), existem no Brasil entre 400 mil e 600 mil catadores de materiais recicláveis. Trabalhando em condições extremamente precárias, muitas vezes em lixões a céu aberto e com risco de contaminação e transmissão de doenças, esses trabalhadores são agentes essenciais para a reciclagem no país.

Mesmo sem políticas públicas orientadas para a coleta seletiva e a reciclagem na medida da necessidade, os catadores são os grandes responsáveis pelos altos índices de reciclagem no país. Em seu trabalho, os catadores realizam um serviço de utilidade pública, já que com a coleta do lixo e sua venda para reciclagem, diminuem a quantidade de materiais que, caso fossem descartados, ocupariam espaço em aterros e lixões, aumentando o volume de resíduos e diminuindo a vida útil desses espaços destinados ao descarte.

São os catadores que coletam, separam, transportam, acondicionam e, às vezes, beneficiam os resíduos sólidos, transformando o que antes era visto como lixo, inútil e pronto para ser descartado, em mercadoria, com valor de uso e de troca.

Com o passar dos anos, a organização dos catadores evoluiu, e hoje o catador saiu da rua e da catação em sacos de lixo, e vem se tornando um empreendedor. Reunidos em cooperativas, o trabalho dos catadores ganha outras proporções, com a possibilidade de coleta e tratamento de maiores quantidades de material reciclável e, consequentemente, sua venda com a geração de mais renda para cada cooperado. Segundo o Movimento Nacional dos Catadores de Material Reciclável, em 2006 já eram 450 cooperativas formalizadas, com mais de 35 mil catadores cadastrados.

O Instituto GEA vem trabalhando sempre no sentido de profissionalizar os catadores, organizando-os em cooperativas e prestando toda a assistência técnica e fornecendo capacitação, para que, cada vez mais, os catadores tornem-se uma força empreendedora no país.

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Catador puxando carrinho na rua. O Instituto GEA trabalha para que essa situação acabe no país

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Cooperativas dos projetos do Instituto GEA: estrutura, veículos e condições de trabalho profissionalizadas

Assim, ao estabelecer relações com bairros residenciais ou empresas, os catadores podem recolher mais materiais e produzir mais renda para seus trabalhadores. Por isso é muito importante a colaboração de cada indivíduo em sua casa, na separação e limpeza dos materiais, assim como a de empresas, direcionando o material para cooperativas. Essa atitude contribui não só para a diminuição dos resíduos descartados, como também com o aumento da geração de renda para esses trabalhadores.

Por esses motivos, os catadores devem ser os receptores prioritários dos resíduos eletrônicos, como previsto na Lei Nacional dos Resíduos Sólidos, assim como devem ser incentivados projetos que levam em consideração o protagonismo dessa classe.

Para saber mais:

1) Documentário “Catadora de Sonhos”, sobre a Mara, presidente da Cooperativa da Granja Julieta

2) Reportagem do Globo Repórter sobre Ségio Bispo, presidente da Cooper Glicério

3) Livro “Catadores(as) e a metrópole: identidade, processo e luta”, de sobre o trabalho e luta dos catadores